segunda-feira, 13 de outubro de 2008

D.Sebastião , a eterna esperança


Nestes tempos de crise em que as coisas não correm bem nesta nossa sociedade dava jeito que surgisse alguém que nos salvasse de todas estas dificuldades. Em Portugal temos a lenda do jovem rei D.Sebastião que perdeu a vida prematuramente aos 24 anos na batalha de Alcácer-Quibir, em Marrocos e como sempre existiram dúvidas se o corpo resgatado era o corpo do jovem rei nasceu a lenda de D.Sebastião em que ele chegaria numa noite de nevoeiro para nos salvar. Do que ele nos viria salvar, isso é que já não sei.
D.Sebastião nasceu em 1554 e foi o décimo sexto rei de Portugal.Sempre foi bastante frágil e fraco de espírito e apenas pensava em batalhas e em actos heroícos. Este monarca insensato em nada contribuiu para combater as dificuldades económicas que se acentuaram desde os fins do reinado de D.Manuel e que se prolongou até à perda da independência em 1580. D.João III morreu em 1557 e tinha como único herdeiro o seu neto, D.Sebastião de apenas 3 anos de idade que se tornou então rei , mas claro que como não tinha idade para exercer nas suas máximas capacidades a função de monarca a regência foi tomada provisoriamente pela rainha viúva, Catarina de Áusria,irmã do imperador Carlos V. Em 1562, D.Catarina renunciou ao cargo e foi substituída pelo irmão de D.João III, o Cardeal Infante D. Henrique.Durante a regência de D. Catarina , o Cardeal Infante D.Henrique e D.Sebastião (entre 1557 e 1578) a igreja ganhou algum ascendente, verificando-se pouca produção cultural, destacando-se apenas o nascimento de uma universidade em Évora , mas mesmo assim com forte influência religiosa pois foi entregue aos Jesuítas e notou-se um fortalecimento da inquisição.
Em 1568, D.Sebastião fez catorze anos e começou a governar.Tinha sido educado para reinar, criado no culto do heroísmo e seguindo a fé cristã acreditou que seria ele a divindade, instrumento da salvação da terra lusitana.Ao longo de 10 anos de reinado sonhou, quase fanaticamente, com a destruição dos inimigos da fé e dos hereges.Em 1572 criou um plano para atacar os infiéis mas foi interrompido abruptamente por uma tempestade que destruiu todos os navios da armada concentrados no Tejo.
Em 1578 e com 24 anos embarcou para África com todas as forças que conseguiu arranjar para atingir um antigo sonho seu : conquistar Marrocos. Seguiram para o norte de África 17.000 homens dos quais 5.000 eram mecenários estrangeiros apesar dos seus concelheiros mais experientes não concordarem com essas manobras.
D.Sebastião teve como pretexto este avanço para território muçulmano,o facto de um mouro apoiado pelos turcos ter conquistado o trono marroquino e o monarca lusitano via isso como uma ameaça para a Península Ibérica. Dirigiu-se então para o local onde o rei de Marrocos se encontrava, mais propriamente em Álcácer Quibir e foi aí que aconteceu uma das maiores tragédias da história portuguesa.

Metade do exército nacional foi dizimado e outra feita prisioneira. Entre os mortos encontrava-se o jovem rei. Foi assim que terminou a curta carreira deste rei com o cognome de o "Desejado". Era mesmo desejado pelos partidários da casa de Avis, pois era a grande esperança desta nobre linha dinástica, mas a sua morte deixou em crise esta casa real e também o país,pois D.Sebastião não teve sucessores o que criou uma grave crise na monarquia nacional que culminou na entrega da monarquia a Espanha , iniciando-se em 1580 a dinastia dos Felipes que só terminou em 1640 com a restauração da independência.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Roma - O grande Império



Capítulo I - Introdução

Roma e toda a história que a envolve é uma cidade que sempre me exerceu grande fascínio e felizmente que já tive a sorte de lá estar 2 vezes.Quando passeei por aquelas ruas mágicas em que cada esquina e cada edifício transpira história por todos os seus poros pareceu-me que me tinha colocado numa máquina do tempo e que tinha regressado mais de 2.000 anos no tempo e me encontrava em pleno império romano.
Os romanos daquele tempo tanto tinham de brilhantes e inventivos como de sanguinários e cruéis mas talvez seja isso que os torna fascinantes. Muitos críticos da sua cultura poderão dizer que toda a sua cultura foi beber ao berço da democracia , a Grécia, e também têm razão, mas isso não invalida que essa adaptação não tenha sido bem feita e foram criadas coisas absolutamentes fantásticas. Em Roma das construcções que chegaram aos nossos dias destaco duas : o Coliseu, inaugurado em 80 d.c e o Panteão de Agripa construído em 27 a.c e é o único edifício em perfeito estado de conservação.

Das suas origens modestas,cuja recordação nos é trazida pela loba que amamentou Rómulo e Remo nas matas, até ao senado, debatendo os destinos do mundo, o caminho foi longo. Os conflitos, as derrotas e as crises que o marcaram criaram a identidade romana. Apesar dos laços que unem o mundo ocidental à civilização romana, temos que admitir que o mundo romano está tão afastado do mundo actual como o dos faraós, dos cartagineses ou dos gauleses. Apesar da herança linguística, cultural e jurídica da civilização romana, esta é tão exótica como muitas outras diferentes da nossa cultura actual. O seu ideal social era o do "otium"(lazer), da disponibilidade do homem abastado para as tarefas e os prazeres da vida comunitária.A produção económica baseava-se largamente na escravatura, mas certos escravos podiam pertencer à elite. No que toca ás relações sociais,as suas noções de decência no amor, do pudor nos balneários abertos aos dois sexos ou nas latrinas colectivas são-nos hoje completamente estranhas.
Esta foi a introdução ao tema da história de Roma, mais capítulos se avizinham.

O contador de Histórias

Para iniciar este meu blog dedicado à história nada melhor que iniciar com um grande historiador e contador de histórias do nosso País, José Hermano Saraiva.Muitos podem estar a pensar que chatice que são os programas dele , que são para dormir e outras coisas mais, mas eu adorava assistir a esses documentários como o "Horizontes da Memória" , mas pronto isso sou eu que sou o "maluquinho da história". E um dos culpados de eu gostar de história é este senhor, portanto devo-lhe esta homenagem.


José Hermano Saraiva nasceu em Leiria a 3 de Outubro de 1919. Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas (1941) e em Ciências Jurídicas (1942), tendo iniciado a sua vida profissional pelo ensino e advocacia.
Desse modo, começou por exercer as funções de professor de liceu e, seguidamente, de Director do Instituto de Assistência aos Menores e Reitor do Liceu D. João de Castro. Foi Deputado à Assembleia Nacional, Procurador à Câmara Corporativa e, já no ensino universitário, leccionou no Instituto Superior de Ciências Sociais e Política Ultramarina da Universidade Técnica de Lisboa (no ano lectivo de 1962/1963).
Entre 1968 e 1970, exerceu as funções de Ministro da Educação em Portugal, tendo sido substituído por Veiga Simão após a crise académica de 69. Entre 1972 e 1974, foi Embaixador no Brasil.
Actualmente é membro da Academia das Ciências de Lisboa, da Academia Portuguesa da História e da Academia de Marinha em Portugal e, ainda, membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, no Brasil.
Foi distinguido em Portugal com a Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública, a Grã-Cruz da Ordem do Mérito do Trabalho e com a Comenda da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, e, no Brasil, com a Grã-Cruz da Ordem de Rio Branco.
Nas últimas décadas, José Hermano Saraiva tornou-se numa figura pública muito conhecida e apreciada não só em Portugal, mas junto das comunidades portuguesas em todo o Mundo, sobretudo pelos seus inúmeros programas televisivos sobre História de Portugal. Por esse mesmo motivo, tornou-se igualmente numa figura polémica, porque a sua visão da História tem sido, por vezes, questionada pelo meio académico. Além disso, a sua actuação enquanto Ministro da Educação Nacional do regime salazarista também contribuiu para o desenvolvimento dessa visão crítica à sua pessoa.
De acordo com as críticas, estas assentam no facto de José Hermano Saraiva, apesar de se dedicar há mais de quarenta anos ao estudo da História de Portugal e de ter desempenhado funções ministeriais na área da Educação, nunca ter obtido qualquer grau académico superior à licenciatura. No entanto, reconhecem-lhe o facto de, efectivamente, ter chegado a desenvolver actividades como docente convidado numa instituição pública - a Escola Superior de Polícia - e numa instituição de ensino superior privado e cooperativo, a Universidade Autónoma de Lisboa "Luís de Camões" (década de 1990).
Em contrapartida, os seus apoiantes salientam as suas qualidades de comunicador televisivo e de divulgador da História de Portugal junto de todas as camadas da população, quer no seu País de origem, quer junto das comunidades portuguesas e luso-descendentes residentes no exterior. Recentemente, através de um programa da rede de televisão portuguesa RTP, ficou classificado em 26º lugar entre os cem "Grandes Portugueses" da História[1].
É filho de José Saraiva (erudito e conceituado professor liceal), irmão de António José Saraiva (reputado investigador na área das Letras) e tio de José António Saraiva (jornalista e arquitecto).

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