
Nestes tempos de crise em que as coisas não correm bem nesta nossa sociedade dava jeito que surgisse alguém que nos salvasse de todas estas dificuldades. Em Portugal temos a lenda do jovem rei D.Sebastião que perdeu a vida prematuramente aos 24 anos na batalha de Alcácer-Quibir, em Marrocos e como sempre existiram dúvidas se o corpo resgatado era o corpo do jovem rei nasceu a lenda de D.Sebastião em que ele chegaria numa noite de nevoeiro para nos salvar. Do que ele nos viria salvar, isso é que já não sei.
D.Sebastião nasceu em 1554 e foi o décimo sexto rei de Portugal.Sempre foi bastante frágil e fraco de espírito e apenas pensava em batalhas e em actos heroícos. Este monarca insensato em nada contribuiu para combater as dificuldades económicas que se acentuaram desde os fins do reinado de D.Manuel e que se prolongou até à perda da independência em 1580. D.João III morreu em 1557 e tinha como único herdeiro o seu neto, D.Sebastião de apenas 3 anos de idade que se tornou então rei , mas claro que como não tinha idade para exercer nas suas máximas capacidades a função de monarca a regência foi tomada provisoriamente pela rainha viúva, Catarina de Áusria,irmã do imperador Carlos V. Em 1562, D.Catarina renunciou ao cargo e foi substituída pelo irmão de D.João III, o Cardeal Infante D. Henrique.Durante a regência de D. Catarina , o Cardeal Infante D.Henrique e D.Sebastião (entre 1557 e 1578) a igreja ganhou algum ascendente, verificando-se pouca produção cultural, destacando-se apenas o nascimento de uma universidade em Évora , mas mesmo assim com forte influência religiosa pois foi entregue aos Jesuítas e notou-se um fortalecimento da inquisição.
Em 1568, D.Sebastião fez catorze anos e começou a governar.Tinha sido educado para reinar, criado no culto do heroísmo e seguindo a fé cristã acreditou que seria ele a divindade, instrumento da salvação da terra lusitana.Ao longo de 10 anos de reinado sonhou, quase fanaticamente, com a destruição dos inimigos da fé e dos hereges.Em 1572 criou um plano para atacar os infiéis mas foi interrompido abruptamente por uma tempestade que destruiu todos os navios da armada concentrados no Tejo.
Em 1578 e com 24 anos embarcou para África com todas as forças que conseguiu arranjar para atingir um antigo sonho seu : conquistar Marrocos. Seguiram para o norte de África 17.000 homens dos quais 5.000 eram mecenários estrangeiros apesar dos seus concelheiros mais experientes não concordarem com essas manobras.
D.Sebastião teve como pretexto este avanço para território muçulmano,o facto de um mouro apoiado pelos turcos ter conquistado o trono marroquino e o monarca lusitano via isso como uma ameaça para a Península Ibérica. Dirigiu-se então para o local onde o rei de Marrocos se encontrava, mais propriamente em Álcácer Quibir e foi aí que aconteceu uma das maiores tragédias da história portuguesa.

Metade do exército nacional foi dizimado e outra feita prisioneira. Entre os mortos encontrava-se o jovem rei. Foi assim que terminou a curta carreira deste rei com o cognome de o "Desejado". Era mesmo desejado pelos partidários da casa de Avis, pois era a grande esperança desta nobre linha dinástica, mas a sua morte deixou em crise esta casa real e também o país,pois D.Sebastião não teve sucessores o que criou uma grave crise na monarquia nacional que culminou na entrega da monarquia a Espanha , iniciando-se em 1580 a dinastia dos Felipes que só terminou em 1640 com a restauração da independência.

